Paralisia Cerebral

Paralisia Cerebral

Por: Saúde Atual
 
Dr. Luiz Carlos Piva
Neurologista Dr. Luiz Carlos Piva
Neurologista

A paralisia cerebral é o nome que se dá a um grupo de problemas motores (relacionados aos movimentos do corpo) que começam bem cedo na vida e são o resultado de lesões do sistema nervoso central ou problemas do desenvolvimento de cérebro antes do nascimento (problemas congênitos). Algumas crianças com paralisia cerebral também têm desordem de aprendizagem, de visão, de audição e de fala.

Embora a lesão especificada cérebro ou os problemas que causam paralisia cerebral não piorem, os problemas motores podem evoluir com o passar do tempo.

Na maioria dos casos de paralisia cerebral, a causa exata é desconhecida. Algumas possibilidades incluem anormalidades no desenvolvimento do cérebro, lesão cerebral do feto causada por baixos níveis de oxigênio (hipóxia perinatal) ou baixa circulação do sangue, infecção e trauma. Acreditava-se que as lesões por baixo fluxo de oxigênio durante o trabalho de parto eram as causas mais comuns de paralisia cerebral, mas agora os pesquisadores acreditam que os problemas no parto são a causa na minoria dos casos. Outras possíveis causas incluem: icterícia grave do recém-nascido, infecções na mãe durante a gravidez, problemas genéticos ou outras doenças que fazem o cérebro desenvolver anormalmente durante a gravidez. A paralisia cerebral também pode acontecer depois do nascimento, como quando há uma infecção do cérebro (encefalite) ou um trauma de crânio. Há quatro básicos de paralisia cerebral:

  • Espástica – Movimentos duros difíceis;
  • Discinética ou Atetoide-Movimentos involuntários e descontrolados;
  • Atóxica – Coordenação e equilíbrio ruins;
  • Mista – Combinação de diferentes tipos.

A paralisia cerebral é a desordem motora mais comum da infância. Acontece em aproximadamente de 1-2 para cada 1.000 nascimentos vivos, com o risco mais alto entre os bebês prematuros, crianças de baixo peso ao nascimento (menos de 1,5 kg), e em gravidez complicadas por infecções ou condições de problemas com o fluxo de sangue para o útero ou para a placenta.

QUADRO CLÍNICO:

Os sintomas precoces de paralisia cerebral incluem:

1) Dificuldade para alimentar – Existe um atraso para o bebê ter coordenação para sugar o peito e para engolir;

2) Demora no aparecimento dos marcos normais de desenvolvimento motor – Não fazer coisas que seriam esperados para uma certa idade. Por exemplo: não ter um controle de cabeça antes dos 3 meses, não rolar o corpo antes de 4 a 5 meses, não sentar sem apoio antes dos 6 meses, não caminhar antes dos 12 a 14 meses;

3) Baixo tônus muscular (flacidez ou hipotonia) ou ter músculos duros (rigidez). O baixo tônus muscular pode ser notado pela dificuldade em sustentar a cabeça ou manter o tronco firme. A rigidez muscular pode ser reconhecida pela espasticidade (músculos “travados” das pernas na infância).

Todas as formas de paralisia cerebral podem ter problemas associados, incluindo retardo mental (em mais dos 50% dos pacientes), um desalinhamento dos olhos chamado estrabismo (50%), epilepsia ou ataques epiléticos (30%), e desordens visuais ou auditivas (20%).

DIAGNÓSTICO:

O médico de seu filho irá colher uma história detalhada, incluindo detalhes do desenvolvimento, da gravidez e do parto, o uso de medicamentos tomados pela mãe, infecções e movimentos fetais. Uma história familiar detalhada, incluindo antecedentes de aborto da mãe a incidência do problema em outros parentes, também pode ajudar.

O médico de seu filho o examinará e poderá solicitar exames de vista e de audição. Podem ser feitos exames complementares de imagem do cérebro, como o Ultrassom, a Tomografia Computadorizada (TC) ou a Imagem de Ressonância Magnética (IRM), um teste de atividade cerebral como o Eletroencefalograma (EEG), ou exames de sangue e de urina.

Para fazer o diagnóstico específico e escolher um plano de tratamento apropriado, o médico pode consultar outros especialistas, como um neurologista, um cirurgião ortopédico, ou um otorrinolaringologista (médico de ouvido, nariz e garganta).

PREVENÇÃO:

Para ajudar a prevenir a paralisia cerebral, os médicos encorajam as mulheres grávidas a fazerem acompanhamento pré-natal regular, que começa o mais cedo possível e se estende por toda a gravidez.

Porém, como a causa da maioria dos casos de Paralisia Cerebral não é conhecida, é difícil prevenir.

Apesar das significativas melhorias no cuidado obstétrico e neonatal nos anos recentes, a incidência de paralisia não diminuiu.

Dr. Luiz Carlos Piva
Neurologista

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