Convulsão Febril

Convulsão Febril

Por: Saúde Atual
 
Dr. Luiz Carlos Piva
Neurologista Dr. Luiz Carlos Piva
Neurologista

Crise febril: (CF) é evento próprio da infância.

Caracteriza-se por crise epiléptica em vigência de febre na ausência de infecção intracraniana ou outra causa definida.

São excluídas da definição aquelas crianças que tiveram crises afebris previamente. CF deve ser distinguido de epilepsia, que se caracteriza por crises afebris recorrentes.

Afeta aproximadamente 5% das crianças entre 6 meses e 5 anos de idade, com leve predomínio no sexo masculino. A etiologia provavelmente é genética, acredita-se que a temperatura elevada seja o fator desencadeante da crise epiléptica; pois, apesar de a febre estar associada a várias mudanças fisiológicas, a redução da temperatura corporal é uma medida eficaz na prevenção das crises febris. CF pode ser classificada como simples ou complicada (complexa). CF simples representa 70% a 75% dos episódios e caracteriza-se por crises tônicas generalizadas com duração inferior a 15 minutos, sem recorrência em 24 horas. CF complicada representa 20% a 25% dos episódios de CF e deve apresentar pelo menos uma das características: crise epiléptica parcial e/ou duração maior do que 15 minutos ou recorrência em 24 horas.

O prognóstico da CF é favorável. A avaliação prospectiva de crianças com CF até a idade de 7 anos mostrou Ausência de óbitos ou Sequelas motoras permanentes. Também não houve maior risco de prejuízo intelectual. Déficits cognitivos são detectados apenas nas crianças que já apresentavam comprometimento neurológico prévio à CF.

As únicas complicações associadas à CF são recorrências das crises ou, raramente, epilepsia posterior.

RECORRÊNCIA DA CF

Aproximadamente um terço dos pacientes apresentará um segundo episódio de CF. Os fatores de risco para recorrência são:

A - Idade menor 18 meses;
B - História familiar de crise (com febre ou sem febre);
C - Duração da febre menor de 1 hora;
D - Febre baixa.

EPILEPSIA POSTERIOR

O prognóstico da CF é excelente. A chance de apresentar epilepsia no futuro é de apenas 1,5%. Entretanto, este número pode variar conforme a presença de mais de um fator de risco para epilepsia.

Os fatores de risco para epilepsia futura são:

A - História familiar de epilepsia;
B - CF complicada;
C - Alteração do exame neurológico.

Se nenhum fator de risco estiver presente, o risco é de 1%. Na presença de um fator de risco, a chance de a criança apresentar epilepsia posterior é de 2%. Crianças com mais de dois fatores de risco apresentam risco de 10%.

TRATAMENTO

Acreditamos que o tratamento de CF deve ser considerado sempre que houver algum fator de risco para recorrência das crises. Também é importante lembrar que o tratamento da CF não previne a ocorrência de epilepsia.

Procure um neurologista para orientação.

Dr. Luiz Carlos Piva
Neurologista

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