Epilepsia - Convulsão - Ataque Epiléptico

Epilepsia - Convulsão - Ataque Epiléptico

O que é?

Por: Saúde Atual
 
Dr. Luiz Carlos Piva
Neurologista Dr. Luiz Carlos Piva
Neurologista

Epilepsia é uma doença neurológica crônica, podendo ser progressiva em muitos casos, principalmente no que se relacionam as alterações cognitivas, frequência e gravidade dos eventos críticos. É caracterizada por crises convulsivas recorrentes, afetando cerca de 1% da população mundial.

Uma crise convulsiva é uma descarga elétrica cerebral desorganizada que se propaga para todas as regiões do cérebro, levando a uma alteração de toda atividade cerebral.

Pode se manifestar como uma alteração comportamental, na qual o indivíduo pode falar coisas sem sentido, por movimentos estereotipados de um membro, ou mesmo através de episódios nos quais o paciente parece ficar “fora do ar” no qual ele fica com o olhar parado, fixo e sem contato com o ambiente.

A descarga elétrica neural anômala que geram as convulsões podem ser resultantes de neurônios com atividade funcional alterada (doentes), resultantes de massas tumorais, cicatrizes cerebrais resultantes de processos infecciosos (meningites, encefalites), isquêmicos (acidente vascular cerebral), ou até mesmo por doenças metabólicas (doenças renais e hepáticas), anoxia cerebral (asfixia) e doenças genéticas. Muitas vezes, a origem das convulsões pode não ser estabelecida, neste caso, a epilepsia é definida como criptogênica.

COMO SE DESENVOLVE?

O mecanismo desencadeador das crises pode ser multifatorial. Em muitas pessoas, as crises convulsivas podem ser desencadeadas por um estímulo visual auditivo, ou por algum tipo específico de imagem. Nas crianças podem surgir na vigência de febre alta, sendo esta de evolução benigna, muitas vezes não necessitando de tratamento.

Nem toda crise convulsiva é caracterizada como epilepsia. Para tal, é preciso que o indivíduo tenha apresentado duas ou mais crises convulsivas no período de 12 meses, sem apresentar febre, ingestão de álcool, intoxicação por drogas ou abstinência, durante as mesmas.

O QUE SE SENTE?

A sintomatologia apresentada durante a crise vai variar conforme a área cerebral em que ocorreu a descarga anormal dos neurônios. Pode haver alterações motoras, nas quais os indivíduos apresentam movimentos de flexão e extensão dos mais variados grupos musculares, além de alterações sensoriais, como referidas acima, serem acompanhadas de perdas de consciência e perda dos controles esfincterianos.

As crises também podem ser precedidas por uma sintomatologia vaga, como sensação de mal estar gástrico, dormência no corpo, sonolência, sensação de escutar sons estranhos, ou odores desagradáveis e mesmo de distorções de imagem que estão vistas.

A grande maioria dos pacientes, só percebe que foram acometidos por uma crise após recobrar consciência, além disso, podem apresentar, durante este período, cefaleia, aversão à luz, confusão mental, sonolência, ferimentos orais (língua ou mucosa oral).

COMO O MÉDICO FAZ O DIAGNÓSTICO?

O diagnóstico é realizado pelo médico Neurologista através de uma história médica completa, coletada com o paciente e pessoas que tenham observado a crise. Além disso, pode ser necessário exames complementares como Eletroencefalograma (EEG) e Neuroimagem, como Tomografia e ou Ressonância Magnética de Crânio. O EEG é um exame essencial, apesar de não ser imprescindível, pois o diagnóstico é clínico.

Ele o serve apenas para o diagnóstico, como também para monitorar a evolução do tratamento. Outro exame complementar que pode ser utilizado é o vídeo-EEG, no qual há registro sincronizado da imagem do paciente tendo a crise e o traçado eletroencefalográfico deste momento. As técnicas de Neuroimagem são utilizadas para investigação de lesões cerebrais capazes de gerar crises convulsivas, fornecendo informações anatômicas, metabólicas e mesmo funcionais.

COMO SE TRATA?

O tratamento da epilepsia é realizado através de medicações que possam controlar a atividade normal dos neurônios diminuindo as descargas cerebrais anormais. Existem medicamentos de baixo custo e com poucos riscos de toxidades. Geralmente, quando o Neurologista inicia com um medicamento, só após atingir a dose máxima do mesmo, é que se associa outro, caso não haja controle adequado da epilepsia.

Mesmo com o uso de múltiplas medicações, pode não haver controle satisfatório da doença. Neste caso, pode haver indicação de cirurgia da epilepsia. Ela consiste na retirada de parte de lesão ou das conexões.

Dr. Luiz Carlos Piva
Neurologista

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