Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono

Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono e sua Relação com a Hipertensão Arterial Sistêmica.

Por: Saúde Atual
 
Dr. Emerson Henklain Ferruzzi
Especialista em Medicina e Distúrbios do Sono Dr. Emerson Henklain Ferruzzi
Especialista em Medicina e Distúrbios do Sono

A Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono é caracterizada pela obstrução completa ou parcial recorrente das vias aéreas superiores durante o sono, resultando em períodos de Apneia, dessaturação de oxihemoglobina e despertares frequentes com consequente sonolência diurna. Os episódios de obstrução e Apneia ocorrem em todos os estágios do sono, especialmente no estágio 2 do sono não-REM e durante o sono REM, quando as Apneias tendem a ser mais longas e a dessaturação arterial mais acentuada. Entre os fatores associados à Síndrome da Apneia do Sono citam-se a história familiar, obesidade, aumento da circunferência cervical, aumento da relação cintura-quadril, hipotireoidismo, diabetes, acromegalia, insuficiência renal crônica, gravidez e roncos, entre outros.

Os eventos respiratórios durante a noite, por definição, devem ter ao menos 10 segundos de duração e podem ser do tipo:

1 - Apneia Obstrutiva - Evento caracterizado pela completa obstrução das vias aéreas superiores, o fluxo de ar é interrompido a despeito de esforços respiratórios contínuos;

2 - Apneia Central - Evento caracterizado pela ausência completa de esforços respiratórios, por alteração do estímulo proveniente do sistema nervoso central;

3 - Hipopneia - Evento caracterizado como uma redução transitória e incompleta do fluxo de ar, em ao menos 50% do fluxo aéreo basal. Pode ser central ou obstrutiva em sua natureza.

O não reconhecimento da Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono é preocupante, devido às comorbidades associadas e ao risco de morte súbita nos pacientes com a Síndrome. A prevalência de Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono é provavelmente muito mais alta em populações de doentes com hipertensão arterial sistêmica, pois há uma série de fatores de riscos comuns, como obesidade, sexo masculino e roncos. Estudos recentes sugerem que 40% dos indivíduos com hipertensão arterial sistêmica apresentam Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono. Naqueles pacientes, que realizaram a monitorização ambulatorial da pressão arterial, a ausência do descenso noturno, que normalmente ocorre em pacientes com hipertensão essencial, foi associada à presença de Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono.

O diagnóstico clínico da SAHOS isolado tem baixa sensibilidade (50-60%) e baixa especificidade (63-70%) para o diagnóstico dos Distúrbios do Sono, necessitando para sua confirmação do uso da Polissonografia, que apresenta sensibilidade e especificidade próximas de 95%.

O diagnóstico de Apneia Obstrutiva do Sono pela Polissonografia é definido pela presença de cinco ou mais episódios de Apneia e/ou Hipopneia por hora de sono. A Síndrome é definida quando Apneias e Hipopneias frequentes durante o sono estão associados à sonolência diurna.

Dr. Emerson Henklain Ferruzzi
Especialista em Medicina e Distúrbios do Sono

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