Câncer Infantil

Câncer Infantil

 
Por: Saúde Atual
Dra. Jucilane Henklain Ferruzzi
Médica Especialista em Hematologia e Oncologia Pediátrica Dra. Jucilane Henklain Ferruzzi
Médica Especialista em Hematologia e Oncologia Pediátrica

O Câncer Infantil é raro - atinge uma a cada 600 crianças e adolescentes até os 15 anos. Nas crianças, as células cancerosas têm origem de células embrionárias primitivas, que muitas vezes crescem e se multiplicam mais depressa que nos adultos. Nos últimos 30 anos, o tratamento do Câncer Infantil deu um salto impressionante e, em média, nos centros especializados, entre 70 e 80% delas ficam curadas.

Muitos Cânceres Pediátricos ocorrem em crianças bem pequenas e os pais se perguntam o por quê? Alguns casos são resultados da pre-disposição genética, mas ao contrário do que ocorre com os adultos, o Câncer Infantil não está associado a fatores como dieta, falta de exercícios físicos e ao uso de cigarro e álcool. A causa da maioria dos casos de Câncer Pediátrico ainda é desconhecida.

Os tipos de Câncer que atingem as crianças também são muito diferentes dos que acometem os adultos. As Leucemias são os Cânceres mais comuns em crianças, atingindo com mais frequência à faixa etária dos 2 aos 5 anos de idade. Cânceres do Sistema Nervoso Central vêm em seguida e, em terceiro lugar, os Linfomas, que são Cânceres do Sistema Linfático. Nos adultos, os mais comuns são os de Pele, Próstata, Mama, Pulmão e Colorretais.

Os tipos de Câncer mais comuns na infância e adolescência são:

A Leucemia Linfocítica (ou Linfóide) aguda - LLA é o Câncer mais comum na infância e representa 30% do total de casos.

O Tumor de Wilms pode afetar um rim ou ambos e é mais comum entre crianças na faixa dos 2 aos 3 anos de idade. Representa de 5 a 10% dos tumores infantis.

O Neuroblastoma é o tumor sólido extracraniano (isto é, fora do cérebro) mais comum nas crianças, geralmente diagnosticado durante os dois primeiros anos de vida. Ele pode aparecer em qualquer parte do corpo, mas é mais comum nas suprarrenais e mediastino.

O Retinoblastoma é um Câncer que tem origem nas células que formam parte da retina, cujo sinal mais comum é o brilho ocular chamado de "reflexo do olho de gato". Costuma aparecer em crianças entre 2 e 3 anos de idade.

O Rabdomiossarcoma é o Câncer de partes moles mais comum em crianças. O tumor tem origem nas mesmas células embrionárias que dão origem à musculatura estriada esquelética ou voluntária, ou seja, músculos que se prendem aos ossos ou a outros músculos.

Os Tumores de Sistema Nervoso Central (Encéfalo e Medula Espinhal) são os Tumores Malignos sólidos mais comuns em crianças, ficando atrás apenas das Leucemias e Linfomas. Adultos tendem a ter Câncer em diferentes partes do cérebro, geralmente nos hemisférios cerebrais. Tumores da Medula Espinhal são menos comuns que os de Encéfalo tanto em adultos como nas crianças.

Os Tumores Ósseos Primários são raros: O mais comum é que o Câncer dos Ossos seja resultado de outro tumor que se espalhou e atingiu o osso. A despeito de raros, são o sexto em incidência em crianças, sendo mais frequentes na adolescência. Os mais comuns são o Osteossarcoma e o Sarcoma de Ewing.

O Linfoma de Hodgkin é um Câncer do Sistema Linfático (que inclui gânglios, timo e outros órgãos do sistema de defesa do organismo). O Linfoma de Hodgkin pode atingir crianças e adultos, mas é mais comum em dois grupos, jovens adultos (dos 15 aos 40 anos, geralmente dos 25 aos 30 anos) e pessoas acima dos 55 anos. É raro antes dos 5 anos de idade, mas entre 10 e 15% dos casos ocorrem em adolescentes e crianças com menos de 16 anos.

Os Linfomas não-Hodgkin também têm origem no Sistema Lin-fático e são mais comuns que os Linfomas de Hodgkin nas crianças, sendo o terceiro Câncer mais comum entre crianças. O Câncer Infantil costuma ser difícil de reconhecer quando em seu estágio inicial, pois sua manifestação clínica confunde-se com grande parte das doenças comuns da infância. Além das consultas regulares ao Pediatra, os pais devem estar atentos para o aparecimento de sinais e sintomas que não desaparecem, como:

  • Surgimento de nódulos ou caroços;

  • Palidez e falta de energia inexplicáveis;

  • Aparecimento de hematomas sem motivo;

  • Sangramentos frequentes (por nariz, ânus, vias urinárias);

  • Dor localizada persistente;

  • Coxeadura (mancar) sem razão aparente;

  • Febres sem explicação;

  • Aumento de volume abdominal;

  • Dor abdominal prolongada;

  • Dores de cabeça frequentes, muitas vezes acompanhada por vômitos;

  • Mudanças nos olhos ou na visão;

  • Perda de peso rápida e excessiva;

  • Virilização em meninas ou puberdade precoce.

O Câncer Infantil pode ser tratado com cirurgia, Radioterapia e Quimioterapia ou pela combinação de duas ou mais dessas terapias. Apesar das exceções, o Câncer Infantil costuma responder bem à Quimioterapia, porque tem crescimento rápido. É importante que o tratamento seja feito em centros especializados, porque tanto a criança com Câncer quanto sua família tem necessidades especiais.

Dra. Jucilane Henklain Ferruzzi
Médica Especialista em Hematologia e Oncologia Pediátrica

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