10/08/2015 09h11 - Atualizado em 10/08/2015 09h11

Pólipos do Cólon e Tumores Benignos do Cólon

 
Dr. Nelson Derzi - CRM-MS: 596
Dr. Nelson Derzi - CRM-MS: 596

Pólipo é a estrutura que se projeta, que faz procidência numa superfície. Pólipo não é sinônimo de tumor. Muitos Pólipos não são tumores (neoplasias), nem benignos nem malignos. Os Pólipos do Cólon são classificados de acordo com a sua morfologia microscópica.

A incidência de Pólipos no Cólon aumenta com a idade. Nos EUA depois dos 60 anos de idade 40 a 50% das pessoas têm Pólipos no Cólon. No entanto, na África, menos de 0,5% da população tem Pólipos no Cólon. Mais de 50 % dos Pólipos do Cólon são adenomas. Os adenomas são tumores benignos que podem evoluir para Cancro. Nem todos os adenomas do cólon evoluem até Cancro, mas, praticamente todos os Cancros do cólon nascem de um Pólipo adenomatoso. Calcula-se que 3% dos Pólipos com 1 cm de diâmetro se transformam em Cancro ao fim de 5 anos, 8% ao fim de 10 anos e 24% ao fim de 20 anos. Como vemos a maior parte dos Pólipos adenomatosos permanecem estáveis, nunca evoluem para Cancro, alguns até regridem. Cerca de 50% dos Pólipos do Cólon não são adenomas, isto é, não são tumores. Como só conhecemos a natureza do Pólipo depois de o examinar ao microscópio e, como desconhecemos se determinado Pólipo vai ou não evoluir para Cancro, temos que remover todos. Os Pólipos nem sempre são solitários, com frequência encontramos 2, 3 e mais Pólipos, mais ou menos, afastados uns dos outros. Se o número de Pólipos é elevado a várias dezenas, estamos perante uma Polipose.

Como se manifestam os Pólipos?

Os Pólipos do Cólon geralmente são silenciosos, não dão nenhuma manifestação. Por vezes o Pólipo causa perdas de sangue que não são visíveis, mas causa anemia. Outras vezes o Pólipo dá origem a perdas de sangue visíveis nas fezes: Rectorragia (Hematoquézia). Na maior parte das vezes, o Pólipo descobre-se durante um exame endoscópico (Fibrossigmóidoscopia ou Colonoscopia) ou Radiológico, feito por motivos que nada têm a ver com o Pólipo; Dor abdominal, alterações do trânsito (obstipação/diarreia), distensão abdominal etc. Em Portugal, mostram os resultados de rastreios recentemente efetuados, vindos a lume em 2007 que, mais de 80% dos Pólipos e mais de 86% dos adenomas do cólon se localizam na porção esquerda (entre o ânus e o ângulo esplênico).

Tratamento:

A atitude do Médico quando observa um Pólipo no cólon é a seguinte: Se o Pólipo foi descoberto durante um exame Endoscópico e tem menos de 5 mm de diâmetro, retira-o com a pinça de Biopsia, se o Pólipo tem mais de 5 mm retira-o com a ansa de Polipectomia. Se o Pólipo foi descoberto pelo Raio X (Clister Opaco) faz-se uma Colonoscopia e o Polipo é retirado por Polipectomia. Se o exame microscópico do Pólipo retirado mostra que se trata de um adenoma, deve-se fazer o controle Endoscópico 3 anos depois e, se passados os três anos, não for encontrado nenhum Pólipo, passa a se fazer o controle de 5 em 5 anos. Se o exame microscópico mostrar que o Pólipo não é um adenoma e, a pessoa tiver mais de 50 anos, deve fazer o controle de 5 em 5 anos, tal como aos indivíduos sem Pólipo.

Poliposes:

Quando no cólon se observam múltiplos Pólipos estamos perante uma Polipose. As Polipose são afecções raras, algumas são mesmo raríssimas. Vamos descrever apenas duas das menos raras (Polipose Adenomatosa Familiar e Síndrome de Peutz-Jeghers). As duas são Poliposes hereditárias, autossômicas dominantes mas, com evoluções diferentes.

Autossômica dominante quer dizer que:

1 - O gene encontra-se em um autossomo e não em um cromossoma sexual. Atinge tanto os homens como as mulheres;
2 - O gene produz efeitos tanto nos homozigóticos como nos heterozigóticos;
3 - Os membros não afetados da família não transmitem aos filhos;
4 - Os indivíduos heterozigóticos transmitem o gene a metade da sua descendência.
Polipose Adenomatosa Familiar - PAF

É uma doença hereditária, autossômica dominante muito rara, em que aparecem no cólon centenas ou milhares de Pólipos, que são adenomas (tumores benignos). O gene responsável pela doença é o gene APC (Adenomatous Polipos is Coli), localizado no cromossoma 5.

Na Polipose Adenomatosa Familiar, os Pólipos aparecem pelos 16 anos de idade e, se não for removido do cólon (a Colectomia Profilática faz-se pelos 18 - 20 anos), o Cancro aparece pelos 50 anos. Grande parte das pessoas com PAF, além dos Pólipos do Cólon, tem Pólipos no: Estômago (50%), no duodeno (90%), mas, estes Pólipos, sobretudo os do estômago raramente malignizam.

Na PAF, além dos Pólipos do cólon, do estômago e do esôfago, podem aparecer tumores na pele (Síndrome de Gardner), no sistema nervoso (Síndrome de Turcot). Há uma forma atenuada da PAF em que o número de Pólipos não ultrapassa os 30 e, por isso, tem menos risco de Cancro. Nestas famílias o gene localizado no cromossoma 5, está alterado na sua extremidade.

Como se previne, nestas famílias, o aparecimento de Cancro?

Os familiares devem iniciar o rastreio com Fibrossigmóidoscopia pelos 10 - 12 anos e repeti-la anualmente. O teste genético é hoje possível, deve-se fazer na puberdade e liberta o portador do gene de fazer Fibrossigmóidoscopia anualmente. A Endoscopia Alta deve ser feita de 2 em 2 anos ou de 3 em 3 anos, para despistar Pólipos do estômago e do duodeno. No Serviço de Gastroenterologia do Hospital Distrital de Faro, existe uma consulta para os doentes com Cancro do cólon e reto (Consulta de CCR), com Médicos e Enfermeiras dedicadas a este assunto que se encarregam de fazer o estu

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