18/05/2015 08h11 - Atualizado em 18/05/2015 08h11

ESCLEROSE MÚLTIPLA

"A doença se manifesta em pacientes jovens com em média 30 anos de idade e é duas vezes mais frequente nas mulheres que em homens."

 
Dr. Rodrigo Melo Dr. Rodrigo Melo

A Esclerose múltipla é uma doença inflamatória desmielinizante autoimune (ataca o revestimento dos prolongamentos dos neurônios – recobertos por Mielina) que afeta vários locais do sistema nervoso central. A doença se manifesta em pacientes jovens com em média 30 anos de idade e é duas vezes mais frequente nas mulheres que em homens.

Os sintomas são muito variáveis, visto que vários níveis do sistema nervoso central podem ser atacados. Porém alguns sintomas devem sempre levantar a hipótese de Esclerose múltipla. Perda de visão (neurite óptica), visão dupla (oftalmoplegia internuclear), perda de força e sensibilidade nas pernas (mielite transversa), déficits motores e sintomas sensitivos localizados são alguns exemplos de sintomas que devem lembrar a hipótese de Esclerose múltipla. Outros sintomas muito comuns são a fadiga e o sinal de Lhermitte (choques na coluna e membros quando se flexiona o pescoço).

Existem varias formas de apresentação da doença, porém a mais comum é a Remitente-recorrente ou Surto-remissão. Nesta apresentação a doença ocorre na forma de surtos (sintomas focais motores ou sensitivos) sintomáticos com recuperação total ou parcial dos sintomas e não há progressão dos sintomas no período entre os surtos. Uma grande porcentagem desses pacientes pode evoluir, após 10 a 20 anos, para uma segunda forma da doença chamada de secundariamente progressiva. Para que seja feito o diagnóstico existem critérios (critérios de McDonald) que utilizam achados clínicos, laboratoriais e radiológicos, mostrando que existem lesões em diferentes locais (disseminação no espaço) e que surgiram em diferentes momentos (disseminação no tempo). Na investigação devem ser afastados os diagnósticos diferenciais da Esclerose múltipla, como a ADEM (encefalomielite disseminada aguda), vasculites e doenças infecciosas.

O tratamento disponível para a Esclerose Múltipla tem o objetivo de reduzir a atividade autoimune contra o sistema nervoso central (imunodulação). A primeira linha de tratamento é feita com as beta-Interferonas e com o acetato de glatiramer. Não havendo resposta, as opções seguintes são o natalizumabe e posteriormente o fingolimode. Pacientes que apresentam surtos (definidos como a permanência de um novo sintoma focal por mais de 24 horas) devem ser submetidos à pulsoterapia com a Metilprednisolona por 3 a 5 dias, seguidos de curso de corticoide oral.

Quanto à vitamina D, postulada como um dos fatores relacionados à doença, a reposição deve ser feita somente em pacientes que tenham déficit comprovado da vitamina. Ainda não há embasamento científico suficiente para prescrição generalizada da Vitamina D nos pacientes com Esclerose Múltipla. A associação brasileira de Esclerose Múltipla – ABEM, é uma entidade filantrópica que dá o suporte e orientação aos pacientes com Esclerose Múltipla. Mais informações no site http://www.abem.org.br/

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